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Show TinWin em Chicago

Postado por

# Tinted Windows em Chicago

30/04/09

Por Juca

Chicago, com sua complexidade e arte, inspira o show do Tinted Windows e não podia ser em melhor local do que no coração da cidade e num clube, onde grandes e interessantes nomes na história da música independente e universal tocaram nos últimos 15 anos. Entre eles The Rolling Stones, Macy Grey, Sonic Youth, The Killers, Maroon 5, Michelle Branch, Bad Religion etc, além de bandas referência para o Tinted Windows, como The Buzzcocks e as bandas originais de três dos membros: Cheap Trick, Fountains of Wayne e Smashing Pumpkins. Foi nesse cenário de alternatividade e história de música que a banda esgotou os ingressos do Double Door, cuja capacidade máxima e de apenas 550 pessoas.

James Iha, ex-Smashing Pumpkin, o recatado rockeiro Adam Schlesinger do Fountains of Wayne, multi-capas de revistas adolescentes do final dos anos 90, Taylor Hanson e o old-school na área, desde os bons tempos do power-pop, Bun E. Carlos, do Cheap Trick formam o novo time a reavivar as gravatas estreitas, calças apertadas e os “trá-lá-áas” da música. Semelhante ao Chip Trick, outras bandas e músicos nesse mercado vieram de galerias e subdivisões em Illinois, logo ter convidado o Bun foi conveniente. Mesmo depois de mudar para New York em 2001, Iha manteve um lugar para si em Chicago, pois confessa que sente falta da pizza.

Vários marcadores são atribuídos deliberadamente as bandas e seus estilos musicais e com o power-pop não tinha que ser diferente. Qualquer som que seja amplificado, mesmo que de longe e que seja cantável, parece ser candidato ao power-pop. Nos anos 60, The Who foi chamado de power-pop, mas o termo só ganhou sua identidade de rock & roll nos anos 70.

Nessa época, grupos britânicos passaram a tocar heavy metal ou glam rock, mas os Americanos nunca se recuperaram da invasão britânica e muitos grupos definiram o som como “melodias grudentas e solos memoráveis”.

Power-pop propositalmente se caracteriza por músicas sem grande profundidade ideológica ou filosófica e convida pessoas que se interessam por hits das rádios e que querem curtir esse som numa sexta-feira à noite, sem se preocupar com o término do fim de semana. “Tem sido algo divertido, nada sério ou dramático, não pensamos muito em nada disso” diz a banda.

Tinted Windows atende a todos os pré-requisitos de um grupo de bom gosto nota A, com intensidade em suas habilidades, além de serem ‘legais e pops’, essa é uma fórmula que eles tem competência para executar. Com refrões que colam na mente, Iha adiciona potência, criando camadas com os vocais soprano do Taylor. Eles admitem que ao se ler sobre a dupla ‘Iha e Taylor’, parece ser algo improvável.

“Sou conhecido por causa do Pumpkins e A Perfect Circle, que são bem mais pesadas.” diz Iha.

No entanto se tirar os vocais das faixas no cd, quase nada mudou no som do Iha. Quanto ao Taylor, ainda o menino andrógino na mente de pessoas neutras ou que nunca tiveram interesse em investigar sua banda original (mas condenam injustamente), seus vocais soam ainda inocentes.

Lamentável para quem está gostando do trabalho, mesmo contendo sinceridade e som agradável, bandas assim tendem a desaparecer, por várias razões.

Kind of a Girl”, primeiro single, foi um disparo dócil feito pela Tinted Windows. Nessa fórmula, eles acrescentam garotas e adolescentes aos títulos e letras das músicas, que demonstram ser quem mais povoam músicas do estilo, porém esse gênero liberal tem apenas a intenção de se criar um apelo universal, em vez de grandes revelações.

“Musicalmente, o show ao vivo e bem projetado. Ao vivo, somos uma banda de 5 caras (quinto: guitarrista Josh Lattanzi). Todas as músicas podem ser muito bem tocadas ao vivo. Os arranjos são simples no cd. Sem dúvida, temos totais condições de tocar todas as músicas do cd”, diz Schlesinger.

Aproveitando o gancho nessa citação do Adam e confirmando o que ele informou, o set list do primeiro show da banda em Chicago foi: (eles retornarão ao clube dia 20 de Junho)

- Take me back

- Can’t get a read on you

- Without love

- Dead Serious

- Messing with my head

- New Cassette

- Back with you

- Cha cha

- We got something

- The Dirt

- Kind of a girl

- Doncha Wanna

Encore:

- Nothing to me

- I don’t mind (cover)

Antes da Tinted Windows, uma banda de abertura tocou (não sei o nome). O som foi bom, aqueceu, mas era divagante na proposta e para a ocasião. Eram simpáticos e bem humorados, agradeceram o Tinted Windows pela oportunidade.

Quando TW entrou, aconteceu o esperado, brados de loucura… todos a postos e “Take me back” foi a primeira música do show. Taylor estava em seu melhor visual Tinted Windows, usava camisa discreta quadriculada, gravatas skinny, calça justa preta e sapatos pretos. Parecia estar confortável sobre o público que via.

A maior frustração para quem queria guardar lembranças dos momentos do show, foi não poder usar máquinas fotográficas, mesmo assim, com pouco tempo de show, várias pessoas revelaram ter usado o truque de trazer baterias extra.

Na seqüência, as excelentes “Can’t get a read on you” e “Without love” mostraram um Taylor bem mais íntimo das notas e serviram de aquecimento para o que eu penso ser o melhor momento do show: “Dead Serious”, melodia remanescente de músicas cantadas por Taylor, em sua banda original. Várias pessoas cantavam junto, havia menos expressões de loucura pelo rostinho bonito da banda.

Até então (e posteriormente), em todas as faixas, Taylor tocou o “tambourine” (que dava pra ouvir), exceto nessa música.

Mantendo o setlist com uma das melhores do cd, o segundo single também caracterizou um momento agitado, “Messing with my head” levantou o público novamente.

“New Cassette” foi introduzida pelo Taylor, com uma piadinha sobre o novo “cassette” deles ter sido lançado na semana passada. Infelizmente ela não está no cd americano, pois é uma das melhores da banda. Ainda bem humorado, Taylor comenta sobre o calor que estava fazendo lá dentro, principalmente no palco, pequeno e tomado por luzes. O clima do show caiu de novo, com “Back with you”.

Próxima música, “Cha Cha”, Iha troca de guitarra e a nostalgia intensifica, aumentei minha intensidade também. “We got something” e “The Dirt” (também não está no cd, Taylor tocou um “ganza”), fizeram bons fillers, mas nada demais. Entre uma música e outra, Adam comentou sobre o Taylor gostar demais de pizza em Chicago, portanto havia comido muitos pedaços antes do show, a ponto de o zoarem dizendo: “E o show?” Muitas risadas nessa hora.

Mais um momento alto do show, Taylor fez outra piadinha, introduzindo “Kind of Girl”, dizendo que iam tocar uma música nova e perguntou se estávamos nos divertindo. Velha a piada, mas o público curtiu o som e cantou com a banda.

“Doncha Wanna” fechou o show e a banda saiu pela lateral do palco. Como eu já imaginava e já estava anotando no celular, eles voltaram para um encore de 2 músicas. “Nothing to me” e o cover do The Buzzcocks, “I don’t mind”. Pena que a saída do som estava horrível, tornando o microfone insuportável. A banda retornou ao backstage e não voltou, nem deu autógrafos.

Detesto admitir que o público, ainda que misturado, era notavelmente de fãs do Hanson em sua maioria. A banda não levou cds para vender, tinham apenas camisas e bottons.

Percebi uma banda cuja técnica, capacidade e qualidade são incontestáveis. São bem organizados, seguem o setlist a risca. Essa métrica, porém, parece tornar a banda formal e fria, não permitindo que os fãs se relacionem com ela durante o show, o que cria um pseudo-diálogo público-banda, muito menos depois do show.

A agenda da banda ainda não está muito ocupada, mas a banda já encara a realidade de uma turnê de fato, que deverá ser encaixada com a agenda do Cheap Trick. Os Hanson anunciaram que a turnê antes prevista para o verão americano não acontecerá mais, portanto vão se dedicar apenas ao processo de gravação e produção de seu novo álbum.

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